jump to navigation

ADO Challenge 18/07/2009

Posted by rama in Mamis, Mamis em projecto, Mamis no mundo.
Tags: , ,
14 comments
AD

 Há uns dias soube de uma iniciativa fantástica. A Art Dolls Only lançou um desafio: criar uma boneca sob o tema «Os quatro elementos». Aqui vai a explicação:

Your inspiration is the elements, and we challenge you to make a art doll using one, two, three, or all four of the elements as your inspiration. On Friday July 17th participants post their art doll to their blog.Saturday July 18th and Sunday July 19th begins the fun of seeing all the art dolls that have been created! All participants will be listed in the ADO sidebar for easy visiting.Any and all artists are welcome to participate, including non members.Here is your chance to explore the wonderful world of art dolls, first time doll maker, old hat, or have not created in while, all are welcome to join in on the fun!

Decidi participar. A ideia pareceu-me genial e irresistível.

A Mami Madeleine é a minha resposta ao ADO Challenge.

Elemento: AR.

Todo o projecto aqui.

ADO1

ADO2

ADO3

ADO4

ADO5

ADO6

Vejam as outras propostas: Alena Eliseeva, Archethypal Theatre, Catherine Coyle, Christina Christidou,  Cody Goodin, Drycha, Du Buh Du, Las Noches, PieCake PrimitivesThe Wonderful Place… mais no site da ADO, na barra lateral.

Mami em construção 20/06/2009

Posted by rama in Mamis, Mamis em projecto.
Tags: ,
1 comment so far

A Madeleine já tem mãos, pernas, pés e cabeça.

bx_madeleine

Mami Madeleine 15/06/2009

Posted by rama in Mamis, Mamis em projecto.
Tags: ,
add a comment

La veuve Blanchard

«Collecting cards with pictures of events in ballooning history from 1795 to 1846; nº. 7. Mort de Mme. Blanchard (1819)»
Paris : Romanet & cie., imp. edit. [entre 1890 e 1900]
Colecção Tissandier.
Library of Congress
Morte de Mme Blanchard

Morte de Mme Blanchard

Está para chegar uma Mami que se chama Madeleine. O que a concebeu: a imagem acima. E a história por detrás da imagem.

A compilação de todas as entradas acerca desta Mami encontra-se aqui.

 

 

A 6 de Julho de 1819, Norwich Duff, um oficial da Marinha escocês em viagem pela Europa ocidental, registou no seu diário de bordo:

Página do diário de Norwich Duff

Página do diário de Norwich Duff

Fui a uma Grande Fête no Jardin de Tivoli [Paris], na qual testemunhei um acidente terrível: entre as várias diversões previstas para essa noite, Madame Blanchard ascenderia num balão e, ao atingir uma determinada altura, lançaria fogo de artifício. Ao levantar voo, o balão ficou enredado nas árvores, o que alterou a disposição do fogo de artifício no cesto sem que Mme Blanchard se tivesse apercebido. Ao largá-lo, a chama de alguns dos foguetes saiu para cima em vez de sair para baixo, deixando o balão em chamas. O balão rebentou a uma altura de vários milhares de pés; a pobre Mme Blanchard caiu no telhado de uma casa na Rue Provence, e daí para a estrada, desfazendo-se em mil pedaços.

Quem era esta mulher do século XIX, corajosa, autónoma, conduzindo sozinha um balão, numa época em que as mulheres nasciam para se apoiarem num homem?

Espreguiçou-se. Levantou-se. Ficou de pé, completamente despido na nossa frente, enquanto as trombetas rugiam Verdade! Verdade! Verdade! E não podemos deixar de confessar: era mulher.

Virginia Wolf, Orlando (trad. Cecília Meireles)

Mme Sophie Blanchard

Mme Sophie Blanchard

Sophie Blanchard (24 de Março de 1778 – 6 de Julho de 1819), ou Marie Madeleine Sophie Armant, era uma aeronauta francesa, mulher do balonista pioneiro Jean-Pierre Blanchard. Foi a primeira mulher a trabalhar como balonista profissional, célebre na Europa pelas suas proezas e promovida por Napoleão Bonaparte «Aeronauta das Festividades Oficiais». Na restauração da Monarquia, em 1814, Sophie actuou para Luís XVIII, que a nomeou «Aeronauta Oficial da Restauração». As descrições de Sophie são consensuais em dois aspectos: era baixinha e muito nervosa. Diz-se que estava muito melhor sozinha, no ar, do que em terra, já que o seu carácter irritadiço fazia com que se enervasse com facilidade.

Jean-Pierre Blanchard

Jean-Pierre Blanchard

Casou em em 1804 (com 26 anos) com Jean-Pierre Blanchard, o primeiro homem a fazer da pilotagem de balões a sua profissão.

Numa altura em que os Blanchard se encontravam à beira da falência, Sophie decide tornar-se ela própria balonista.

Acreditava que a novidade de uma mulher no balão atrairia multidões, resolvendo assim os seus graves problemas financeiros.

Sophie tornava-se assim a primeira balonista profissional, e também a primeira a pilotar o seu próprio balão.

Porém, Sophie não foi a primeira mulher a voar em balão. A 4 de Junho de 1784, o rei Gustavo III da Suécia estava de visita a Lyon. Para comemorar, organizou-se um espectáculo único e peculiar: Elizabeth Thible, uma cantora de ópera, ascendeu em balão vestida de Minerva com M. Fleurant, um pintor, e, assim que levantaram voo, cantaram dois duetos da ópera La belle Arsène. A actuação foi fantástica, o povo aplaudiu, mas o fim foi atribulado: o balão despenhou-se a 4 km do local de onde tinha descolado. Fleurant saiu ileso e Elizabeth sofreu escoriações ligeiras.

Mas voltemos a Sophie.

Em 1807, Sophie e o marido tiveram um acidente quando voavam juntos: o seu balão despenhou-se, provocando em Jean-Pierre ferimentos graves na cabeça e deixando Sophie muda durante várias semanas.

As Mamis também são mudas. A maior parte do tempo.

Em 1809, o seu marido tem um ataque cardíaco em pleno vôo, caindo do seu balão e sofrendo graves ferimentos, que lhe provocam a morte.

Sophie durante o seu voo em Milão, Itália, em 1811 - Luigi Rados, colecção Tissandier, Library of Congres

Sophie durante o seu voo em Milão, Itália, em 1811 - Luigi Rados, colecção Tissandier, Library of Congress

 

 

Sophie não se deixou abalar. Continuou corajosamente a evoluir na sua profissão. Actuava Europa fora. Sempre no ar. Sempre sozinha. Sempre muda quando sozinha no ar.

 

 

 

 

 

 

 

 

Corria o ano de 1819. Sophia dava espectáculos duas vezes por semana no Jardin de Tivoli, e uma das atracções dessas actuações eram o lançamento de fogo de artifício durante o voo. Alertada várias vezes para os perigos destas performances, Sophie disse, a 6 de Julho: « Allons, ce sera pour la dernière fois

Edmond Texier, Tableau de Paris - Jardin des Tuileries em 1800

Edmond Texier, Tableau de Paris - Jardin des Tuileries em 1800

Nesse dia, Sophie iniciou a sua actuação às 22h30. Ia acompanhada de uma bandeira branca e levava um vestido branco e um chapéu branco com penas de avestruz. Soprava um vento forte; Sophie teve dificuldades em descolar e, ao levantar voo, o balão ficou preso nas árvores. Sophie conseguiu libertar-se e começou de imediato a acenar com a bandeira, dando início ao espectáculo.

Ao lançar o fogo de artifício, o balão pegou fogo.

Sophie, lúcida e calma, tentou, em vão, controlar a descida. Os espectadores aplaudiam, pensando que tudo fazia parte do espectáculo.

Queda de Sophie Blanchard

Queda de Sophie Blanchard

 

Sophie entrou em queda livre. Foi projectada para fora do cesto, caindo sobre o telhado do n.º 14 da Rue de Provence, onde vivia François Benoît Hoffman, autor de peças líricas e de peças de teatro e crítico francês.

Esta história impressionou muitos, e há referências a Mme Blanchard, Sophie, a corajosa balonista, na literatura de vários países: Verne mencionou-a em Cinco Semanas em Balão, Dostoiévski em O Jogador, Dickens afirmou (Household Words: A Weekly Journal. 7. New York: Dix and Edwards, 1853), referindo-se a Sophie:

The jug goes often to the well, but is pretty sure to get cracked at last.

Fontes: http://www.paris-pittoresque.com
http://wapedia.mobi/fr