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Madeleine

La veuve Blanchard

«Collecting cards with pictures of events in ballooning history from 1795 to 1846; nº. 7. Mort de Mme. Blanchard (1819)»
Paris : Romanet & cie., imp. edit. [entre 1890 e 1900]
Colecção Tissandier.
Library of Congress
Morte de Mme Blanchard

Morte de Mme Blanchard

 
A 6 de Julho de 1819, Norwich Duff, um oficial da Marinha escocês em viagem pela Europa ocidental, registou no seu diário de bordo:
Página do diário de Norwich Duff

Página do diário de Norwich Duff

 Fui a uma Grande Fête no Jardin de Tivoli [Paris], na qual testemunhei um acidente terrível: entre as várias diversões previstas para essa noite, Madame Blanchard ascenderia num balão e, ao atingir uma determinada altura, lançaria fogo de artifício. Ao levantar voo, o balão ficou enredado nas árvores, o que alterou a disposição do fogo de artifício no cesto sem que Mme Blanchard se tivesse apercebido. Ao largá-lo, a chama de alguns dos foguetes saiu para cima em vez de sair para baixo, deixando o balão em chamas. O balão rebentou a uma altura de vários milhares de pés; a pobre Mme Blanchard caiu no telhado de uma casa na Rue Provence, e daí para a estrada, desfazendo-se em mil pedaços.

Quem era esta mulher do século XIX, corajosa, autónoma, conduzindo sozinha um balão, numa época em que as mulheres nasciam para se apoiarem num homem?

Espreguiçou-se. Levantou-se. Ficou de pé, completamente despido na nossa frente, enquanto as trombetas rugiam Verdade! Verdade! Verdade! E não podemos deixar de confessar: era mulher.

Virginia Wolf, Orlando (trad. Cecília Meireles)

Mme Sophie Blanchard

Mme Sophie Blanchard

Sophie Blanchard (24 de Março de 1778 – 6 de Julho de 1819), ou Marie Madeleine Sophie Armant, era uma aeronauta francesa, mulher do balonista pioneiro Jean-Pierre Blanchard. Foi a primeira mulher a trabalhar como balonista profissional, célebre na Europa pelas suas proezas e promovida por Napoleão Bonaparte «Aeronauta das Festividades Oficiais». Na restauração da Monarquia, em 1814, Sophie actuou para Luís XVIII, que a nomeou «Aeronauta Oficial da Restauração». As descrições de Sophie são consensuais em dois aspectos: era baixinha e muito nervosa. Diz-se que estava muito melhor sozinha, no ar, do que em terra, já que o seu carácter irritadiço fazia com que se enervasse com facilidade.

Jean-Pierre Blanchard

Jean-Pierre Blanchard

Casou em em 1804 (com 26 anos) com Jean-Pierre Blanchard, o primeiro homem a fazer da pilotagem de balões a sua profissão.

Numa altura em que os Blanchard se encontravam à beira da falência, Sophie decide tornar-se ela própria balonista.

Acreditava que a novidade de uma mulher no balão atrairia multidões, resolvendo assim os seus graves problemas financeiros.

Sophie tornava-se assim a primeira balonista profissional, e também a primeira a pilotar o seu próprio balão.

Porém, Sophie não foi a primeira mulher a voar em balão. A 4 de Junho de 1784, o rei Gustavo III da Suécia estava de visita a Lyon. Para comemorar, organizou-se um espectáculo único e peculiar: Elizabeth Thible, uma cantora de ópera, ascendeu em balão vestida de Minerva com M. Fleurant, um pintor, e, assim que levantaram voo, cantaram dois duetos da ópera La belle Arsène. A actuação foi fantástica, o povo aplaudiu, mas o fim foi atribulado: o balão despenhou-se a 4 km do local de onde tinha descolado. Fleurant saiu ileso e Elizabeth sofreu escoriações ligeiras.

Mas voltemos a Sophie.

Em 1807, Sophie e o marido tiveram um acidente quando voavam juntos: o seu balão despenhou-se, provocando em Jean-Pierre ferimentos graves na cabeça e deixando Sophie muda durante várias semanas.

As Mamis também são mudas. A maior parte do tempo.

Em 1809, o seu marido tem um ataque cardíaco em pleno vôo, caindo do seu balão e sofrendo graves ferimentos, que lhe provocam a morte.

Sophie durante o seu voo em Milão, Itália, em 1811 - Luigi Rados, colecção Tissandier, Library of Congres

Sophie durante o seu voo em Milão, Itália, em 1811 - Luigi Rados, colecção Tissandier, Library of Congress

 

 

 

Sophie não se deixou abalar. Continuou corajosamente a evoluir na sua profissão. Actuava Europa fora. Sempre no ar. Sempre sozinha. Sempre muda quando sozinha no ar.

 

 

 

 

 

 

 

Corria o ano de 1819. Sophia dava espectáculos duas vezes por semana no Jardin de Tivoli, e uma das atracções dessas actuações eram o lançamento de fogo de artifício durante o voo. Alertada várias vezes para os perigos destas performances, Sophie disse, a 6 de Julho: « Allons, ce sera pour la dernière fois

Edmond Texier, Tableau de Paris - Jardin des Tuileries em 1800

Edmond Texier, Tableau de Paris - Jardin des Tuileries em 1800

Nesse dia, Sophie iniciou a sua actuação às 22h30. Ia acompanhada de uma bandeira branca e levava um vestido branco e um chapéu branco com penas de avestruz. Soprava um vento forte; Sophie teve dificuldades em descolar e, ao levantar voo, o balão ficou preso nas árvores. Sophie conseguiu libertar-se e começou de imediato a acenar com a bandeira, dando início ao espectáculo.

Ao lançar o fogo de artifício, o balão pegou fogo.

Sophie, lúcida e calma, tentou, em vão, controlar a descida. Os espectadores aplaudiam, pensando que tudo fazia parte do espectáculo.

Queda de Sophie Blanchard

Queda de Sophie Blanchard

 

Sophie entrou em queda livre. Foi projectada para fora do cesto, caindo sobre o telhado do n.º 14 da Rue de Provence, onde vivia François Benoît Hoffman, autor de peças líricas e de peças de teatro e crítico francês.

Esta história impressionou muitos, e há referências a Mme Blanchard, Sophie, a corajosa balonista, na literatura de vários países: Verne mencionou-a em Cinco Semanas em Balão, Dostoiévski em O Jogador, Dickens afirmou (Household Words: A Weekly Journal. 7. New York: Dix and Edwards, 1853), referindo-se a Sophie:

The jug goes often to the well, but is pretty sure to get cracked at last.

Fontes: http://www.paris-pittoresque.com
http://wapedia.mobi/fr
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Mami em construção

A Madeleine já tem mãos, pernas, pés e cabeça.

bx_madeleine       
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Inspirações – Mami Madeleine

A Mami Madeleine vem do AR.

A Isadora Duncan também era do ar. Durante as minhas pesquisas, encontrei uma imagem de uma das bailarinas de Isadora que me fez decidir que a Madeleine iria presa no balão, e não dentro de um cesto. Acho que era isto que Sophie Blanchard sentia quando voava:

Arnold Genthe, Isadora Duncan Dancer,     1915-1923 - Library of Congress

Arnold Genthe, Isadora Duncan Dancer, 1915-1923 - Library of Congress

Há na vulnerabilidade uma estranha sensação de liberdade.

Autor desconhecido, Aerialist wearing wings strapped to his shoulders and feet while suspended from a balloon, 1870-1900 - col. Tissandier,          Library of Congress

Autor desconhecido, Aerialist wearing wings strapped to his shoulders and feet while suspended from a balloon, 1870-1900 - col. Tissandier, Library of Congress

 Os balões, entre os formatos reais e os imaginados,  podem ter mil formas, mil cores, mil adereços.

Autor desconhecido, Balão dos Irmãos Montgolfier e Balão dos Blanchard, 1785-1810, Life Magazine

Autor desconhecido, Balão dos Irmãos Montgolfier e Balão dos Blanchard, 1785-1810, Life Magazine

 

Autor desconhecido, Balão de Blanchard e Lunardi, 1780-1799,               Life Magazine

Autor desconhecido, Balão de Blanchard e Lunardi, 1780-1799, Life Magazine

 

Descente d'Absalon par Miss Stena, cromolitografia, imp. Amsterdão, Faddegon & Co., 1880-1900 - col. Tissandrier, Library of Congress

Descente d'Absalon par Miss Stena, cromolitografia, imp. Amsterdão, Faddegon & Co., 1880-1900 - col. Tissandier, Library of Congress

 

Segunda gravura de uma série de dez, comemorativas do balonismo - Collection 476, 2e série, Romanet & Cie., final do séc. XIX - col. Tissandier, Library of Congress

Segunda gravura de uma série de dez, comemorativas do balonismo - Collection 476, 2e série, Romanet & Cie., final do séc. XIX - col. Tissandier, Library of Congress

Anúncio publicitário ao periódico francês Le Balloon - cromolitografia, 1883 - col. Tissandier, Library of Congress

Anúncio publicitário ao periódico francês Le Balloon - cromolitografia, 1883 - col. Tissandier, Library of Congress

O resultado do projecto aqui.

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