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Mad Tea Party 27/06/2010

Posted by rama in Coisas minhas, Mamis em projecto.
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Em Macau, nunca podemos confiar no tempo… por isso, eu e a outra mami (uma conhecida maga da cozinha) decidimos fazer a Festa do Chá Maluco no sábado passado. Em boa hora, porque ontem a chuva torrencial não parou nem por um segundo…

Enviados os convites, feitas as compras, desacertados os relógios… estávamos prontas para uma festa DOIDA VARRRRRIDA!

Estava tudo calmo…

… até aparecer um pássaro.

A C. disse que era um pássaro mágico, porque parecia ter um brilho estranho…

… e foi então que apareceu o Chapeleiro Louco…

… e ele resolveu fazer o impensável, o indizível, o inimaginável: tirar o chapéu.

… e saiu de dentro do chapéu uma magia muito mágica que inundou o jardim e contagiou os convidados. E algo estranhíssimo aconteceu…

… todos começaram a fazer chapéus!!!

Todos, menos o Chapeleiro Louco, que preferiu fazer coisas perigosas, como mexer em tesouras…

… ou espetar pompons em novelos com agulhas…

… ou tentar beber a tinta mágica..

E nasceram chapéus mágicos com poderes secretos!!!

E nasceram fadas…

… e magos…

… e o Chapéu voltou para a cabeça doida do Chapeleiro Louco.

E quando chegaram os soldados da Rainha de Copas, a única coisa que encontraram foi, ao pé de uma árvore, uma Lebre de Março adormecida…

E sim. É verdade. A Alice não apareceu. Mas foi só porque ainda não caiu no buraco. Disse-me o Chapéu que há-de cair lá para dia 8 de Julho…

Façam o favor de visitar o blog da minha louca associada, que deu a ideia ao Chapéu de enfeitiçar toda a gente e pô-los a produzir chapéus, e o blog A Fanciful Twist, da fantástica criadora da Festivity of Madness, Vanessa Valencia, onde poderão encontrar os links para todas as outras Festas do Chá Maluco.

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MACAU! 17/02/2010

Posted by rama in Coisas minhas, Mamis, Mamis em projecto.
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Depois de uma semana e meia de jet-lag + uns dias a funcionar a 50%, eis o primeiro post de Á-Má Gao!

A nossa chegada coincidiu com as celebrações do ano novo chinês e, por isso, pude passar quase duas semanas a ouvir os “Uaaaaau!” da C.

Há cor, música e “Kung Hei Fat Choy!” por todo o lado e panchões que rebentam noite e dia.

Largo do Senado

Estamos agora a sair da Fase do Supermercado, também chamada “Que raio de supermercados são estes que não têm carne nem peixe nem fruta nem legumes e onde as bolachas, as bebidas e as massas ocupam 3,8/4 dos corredores?!”, ou ainda “Please… meat? fish? understand?”.

Mas uma pessoa habitua-se e avança, e os conhecimentos adquiridos, esses, ninguém nos pode tirar! Foram estas as conquistas:

1. Aprendemos que carne, peixe, legumes e fruta, só mesmo nos mercados.

2. Aprendemos a dizer “Pac Hap Tchau” (não sei o que significa nem como se escreve, mas é útil: os taxistas não falam senão cantonense, e estas palavras mágicas levam-nos à porta de casa).

Estarmos alojados no edifício mais bonito de Macau só tem um senão: seja qual for a casa para onde nos mudarmos daqui a 15 dias, será sempre infinitamente pior!

3. A C. já sabe cantar uma música inteirinha em mandarim.

4. O A. já comunica com os meninos chineses que apanha pelo caminho – não diz nada; mas o nada que diz, di-lo com entoação chinesa.

5. A avó Madalena já descobriu onde se compra material de pintura.

6. Sempre que possível, estas duas crianças devem sair à rua de gorro – os chineses apontam, riem, tapam a boca, obrigam os seus filhos a tocarem nos cabelos louros da C. e do A., enquanto a C. tenta esconder-se por trás das minhas pernas e o A. por baixo da saia.

7. A comunidade portuguesa em Macau é de uma generosidade sem limites – os lanches, almoços, jantares e passeios com “gente de lá aqui” já foram mais que muitos, e cada uma das pessoas com quem contactámos se desdobrou para nos dar apoio.

8. Compensa tomar refeições fora – pagar 15 euros por um jantar refinado e copioso para 4 pessoas não existe… só mesmo em Macau.

9. Com o comum dos chineses, não vale a pena tentar falar inglês ou qualquer outra língua – é frustrante e inútil. Tenho andado a construir uma lista de nomes de ruas, sítios, objectos, etc., em chinês e, cada vez que preciso de comunicar, uso-a. A minha vida melhorou desde que tive esta brilhante ideia. Se, por acaso, a palavra ou frase não constar da lista, é tentar em inglês – mas o inglês falado da forma mais macarrónica que se conseguir. É que inglês com pronúncia inglesa simplesmente não resulta.

10. Tenho de ter paciência com a C. – à porta de cada loja, de cada prédio, em cada esquina há um altar. E a C. pára em todos para rezar.

Com tudo isto, a Mami Virgulette tem andado caladinha, armada em Bela Adormecida. Esta noite vou acordá-la. Nem ela sabe a longa viagem que a espera…

Mami Lilith – era uma vez o halloween… 08/10/2009

Posted by rama in Mamis, Mamis em projecto.
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O halloween sempre foi uma festa que ignorei.

Nunca me interessou, e sempre me irritaram as brincadeiras, as abóboras, a ridicularização das trevas e do mal. Eu achava que era isto o halloween.

Afinal, agora que sou obrigada a conhecer um pouco mais esta festa (o que, perto do que eu sabia até hoje, é muito), faço uma descoberta: o halloween interessa-me, e muito.

O lado lúdico da coisa continua a provocar-me alguma aversão (quase tinha vontade de fazer uma boneca centrando-me só neste aspecto lúdico… seria uma espécie de auto-exorcismo…), mas pode ser que daqui a alguns dias tenha o efeito inverso…

Então vá, sentem-se confortavelmente que a Rama vai contar-vos (quase) tudo:

O halloween tem a sua origem na celebração religiosa celta Samhain (assim chamada na Irlanda; na Gália, a celebração era chamada de Samonios), the festival of the dead.

O dia 31 de Outubro era, no calendário celta, o último dia do ano, que coincidia com o último dia do Verão. Era em torno desta data que se realizavam as festividades celtas, organizadas pelos druidas, nas quais se celebrava o fim do Verão, se festejava a morte de um ano e o nascimento do outro e se assegurava que o novo ano seria fértil e próspero, agradecendo ao Sol as colheitas que lhes permitiriam enfrentar as trevas e o frio do período do Inverno.

Na Samhain. celebrava-se também a “Festa dos Mortos”. Acreditava-se que, em datas como esta, as barreiras entre o mundo terrestre e o mundo espiritual eram quebradas, permitindo que os humanos conseguissem ver as fadas.

John Anster Fitzgerald, The Wake (s.d.)

John Anster Fitzgerald, The Wake (s.d.)

Era ainda neste último dia do ano que os espíritos podiam visitar os seus amigos e familiares e que o Deus da Morte reunia as almas daqueles que tinham morrido ao longo do ano (e que se encontravam no limbo) e lhes dava a conhecer  o seu destino.

Ingmar Bergman, O Sétimo Selo, 1957. Um dos melhores filmes que alguma vez vi.

Ingmar Bergman, O Sétimo Selo, 1957.

A viagem da celebração celta Samhain até aos dias de hoje, enquanto halloween, passa pelo “Dia de Todos os Mártires” da Igreja da Síria (séc. IV), pela conversão de um templo romano dedicado a todos os deuses num templo cristão dedicado a “todos os santos” e pela decisão do Papa Gregório IV de transformar a festa de todos os santos em celebração universal, decretando o dia 1 de Novembro o “Dia de Todos os Santos”.

William Bell Scott, Hallow’s Eve (s.d.)

William Bell Scott, Hallow’s Eve (s.d.)

A noite de 31 de Outubro é, assim, uma noite de vigília, a celebração vespertina do Dia de Todos os Santos, em inglês chamada de All Hallow’s Eve (“Vigília de Todos os Santos”). Esta designação sofreu várias transformações (All Hallowed Eve > All Hallow Een) até chegar ao actual halloween.

Amanhã: a fascinante história d’As Maquiavélicas-Abóboras-Iluminadas-Que-Afinal-Eram-Nabos ou Jack-o’-Lantern – Uma História Diabólica.

Hunter Jay, Exuberant Pumpkin, 2007

Hunter Jay, Exuberant Pumpkin, 2007

Mami Juno – a dama-pavão 31/08/2009

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Vamos começar a chamar a Mami do Haunted Masquerade Blog Event pelo seu nome: Juno, a dama-pavão.

Graças à Droguerie e à Mokuba, que visitei estas férias, tal como faço todos os anos, a minha selecção de materiais para esta Mami está completa:

Novos projectos 31/08/2009

Posted by rama in Mamis, Mamis em projecto.
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A +/- 32 horas de regressar à labuta, dois novos projectos:

Halloween {A Hauntingly Magical Celebration Revealed}

A Fanciful TwistFasten your corsets and lace up your boots!  Put on your top hats and antique black suits!  Curl your mustache and iron your hair, don’t dust off the spider webs, why, they add such flair!!!

It’s time to creep up the spiral staircase, to the ornately carved tiny door, that holds a secret keyhole to another place from long before…

A place where beautiful black daisies grow, with a hint of a royal plum hue…

Where potions are concocted…

And chocolate mushrooms flourish in the mysterious Fairytale Forest

t is in this place where beloved ghosts are free to roam, and tell tales, hundreds of years old.  This is the time of the year, where the ghostly characters start to slowly open their eyes, and think about stretching their legs…

Time to slowly let them out of the glass carnival case…

While ideas of Halloween begin to trickle in, there are magical pumpkin groves nourishing the lives of precious white ghost pumpkins.  Pumpkins who are preparing to be cut from their vine, for All Hallows’ Eve celebrations…

  • 24 de Outubro – uma ideia da Cassandra:

The Haunted Masquerade Blog Event

The Haunted Masquerade Blog Event

The idea is that everyone host their own “Haunted Masquerade ” on their blog on Oct. 24th . You can do your party however you would like. You can display, create, share, and giveaway anything that inspires you. What comes to your mind when you think . . . Masquerade?

Não sei se vou conseguir fazer festas FESTAS mesmo, com pompa, aparato e circunstância… mas pelo menos duas bonecas vão nascer para celebrar o Halloween.

Para a primeira (Halloween) tenho o nome e a inspiração: Mami Lilith e Marcel Schwob. Esta Mami vai falar de sangue e de amor, de ódio e de inveja, de imperfeição e de terra, de tristeza e de eternidade, de força e de feminilidade, de morte e de passagem, de transição. Tentei encontrar esta Lilith entre as irmãs de Monelle (Marcel Schwob, Le Livre de Monelle), mas cheguei  à conclusão que é todas elas. Encontrei-a também no conto “Lilith” (Marcel Schwob, Cœur Double).

Para a segunda (Masquerade), tenho as imagens:

  • o anonimato e o alheamento

Ruth St. Denis na praia de Atascadero, Calif., 1916, Denishawn Collection, New York Public Library http://digitalgallery.nypl.org/nypldigital/id?DEN_0415V

  • a mulher-pavão

Ruth St. Denis em "The Peacock", 1914, Denishawn Collection, NYPL http://digitalgallery.nypl.org/nypldigital/id?DEN_0185V

Ruth St. Denis em "The Peacock", 1914, Denishawn Collection, NYPL http://digitalgallery.nypl.org/nypldigital/id?DEN_0184V

  • a verdade e a mentira, o que escondemos e o que deixamos que vejam, o negro e o luminoso, a vida e a morte

Life Magazine

… faltam 6 dias para irmos visitar o Feiticeiro de Oz… 16/08/2009

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… e a Mami Dorothy ainda não está pronta!

Esta Mami vai participar na Wizard of Oz Gala, uma iniciativa das Two Crazy Crafters para comemorar o 70° aniversário do filme The Wonderful Wizard of Oz.

Ilustração de John R. Neill, in Kabumpo in Oz, © 1922 The Reilly and Lee Co.

Ilustração de John R. Neill, in Kabumpo in Oz, © 1922 The Reilly and Lee Co.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dordonha - França

Dordonha - França

Quem me dera poder dizer que a Internet sem fios funciona às mil maravilhas… mas não é o caso. Ainda para mais, estou a escrever num teclado azerty e sempre a ter de corrigir palavras com letras trocqdqs e sem qcentos. E, como se isso não bastasse, estou perdida no meio da Dordonha, para os lados de St-Cyprien, com duas crianças em êxtase a gritar pela piscina, por passeios pelo bosque, por bicicletas, por construções de casinhas para os esquilos…

Casas de esquilos da Carlota

Casas de esquilos da Carlota

Idem

Idem

Idem

Idem

Construção das casas de esquilos

Construção das casas de esquilos

Mais uns móveis das casas dos esquilos...

Mais uns móveis das casas dos esquilos...

Idem

Idem

Por isso, a minha pesquisa sobre o tema Oz será dada a conhecer mais tarde, lá para dia 30, quando tiver chegado a Lisboa. Até lá, apresentarei, na medida do possível, os progressos desta Mami em formação e algumas das imagens que me inspiraram… mas sem grandes conversas…

Mami Mariana – Das imagens e das palavras reais ou imaginadas, da perda e do labirinto da ausência 28/07/2009

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Edição ilustrada por Matisse das «Lettres Portugaises»

Lettres d'une religieuse portugaise (Mariana Alcoforado), Paris: Teriade, 1946 (edição das Cartas Portuguesas com litografias de Matisse)

Num consegui acabar de ler o Dicionário Khazar. Nunca desvendei este mistério.

Mariana Alcoforado

Mariana Alcoforado

Tenho a versão feminina, e lembro-me de ter feito uma pesquisa na Internet para tentar apanhar as diferenças entre esta versão e a masculina. Lembro-me também de ter encontrado o que procurava. Mas não me lembro do que encontrei. Castigo de Deus. É bem feito, para aprender a não fazer batota.

A partir da próxima semana recomeço a lê-lo.

Quando abri o livro (há quantos anos estaria o dicionário à espera disto?), (re)encontrei uma dedicatória do Spini, acompanhada de um texto do Jorge Luís Borges:

  
Nöel Bouton

Nöel Bouton

A posse do ontem

Sei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las, e que essas perdas são agora o que é meu. Sei que perdi o amarelo e o preto e penso nessas impossíveis cores. Como não pensam os que vêem. O meu pai morreu e está sempre a meu lado. Quando quero escandir versos de Swinburne, faço-o, dizem-me, com a voz dele.

Lettres portugaises, frontispício da 1.ª edição - Gabriel-Joseph de La Vergne, comte de Guilleragues

Lettres portugaises, frontispício da 1.ª edição - Gabriel-Joseph de La Vergne, comte de Guilleragues

Só o que morreu é nosso, só é nosso o que perdemos.

Ilíon passou, mas Ilíon perdura no hexágono que a chora. Israel aconteceu quando era uma antiga nostalgia – todo o poema, como o tempo, é uma elegia. Nossas são as mulheres que nos deixaram, já não sujeitos à véspera, que é angústia, e aos alarmes e terrores da esperança. Não há outros paraísos que não sejam paraísos perdidos.

 

 

  

Assinatura de Maria Anna Alcoforada

Assinatura de «Soror Maria Anna Alcoforada»

 

Soror Mariana Alcoforado por Modigliani (1930)

Soror Mariana Alcoforado por Modigliani (1930) - «Aqui onde estou é o meu limite.» (Dicionário Khazar)

 

Soror Mariana Alcoforado por Matisse (1946) - «Espero teu retorno, que tornará as cartas e os dias supérfluos. E pergunto-me: sera que então aquele outro ainda me escreverá, ou será apenas noite?» (Dicionário Khazar)

Soror Mariana Alcoforado por Matisse (1946) - «Espero teu retorno, que tornará as cartas e os dias supérfluos. E pergunto-me: será que então aquele outro ainda me escreverá, ou será apenas noite?» (Dicionário Khazar)

 

Mariana Alcoforado por Matisse (1950) - «Minha pátria é o silêncio; meu alimento, o mutismo. Estou sentada em meu nome como o remador em seu barco. E odeio-te tanto que não posso dormir.» (Dicionário Khazar)

Mariana Alcoforado por Matisse (1950) - «Minha pátria é o silêncio; meu alimento, o mutismo. Estou sentada em meu nome como o remador em seu barco. E odeio-te tanto que não posso dormir.» (Dicionário Khazar)

Mami Mariana – O início do amor 27/07/2009

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Há sete anos ouvi, pela primeira vez, falar na Mariana.

Durante meses, a minha mãe investigou-a sem parar. Leu livros, procurou imagens, visitou o convento de Beja e falou com quem pôde… e com quem não pôde.

Partilhava comigo cada testemunho que recolhia, cada leitura que fazia, cada dado novo que obtinha. Como sempre fez com tudo desde que eu nasci. E contagiava-me com a história da Mariana. A história do início do amor. 

O resultado desta pesquisa foi um livro de artista de 48 páginas, com gravuras sobre papel Fabriano 300 g e sobre papel Kaki Chine 40 g, capa forrada a linho e folhas de guarda Gampi 50 g. Técnicas utilizadas: água-tinta, água-forte, mezzotinta e photopolymer. A edição é do CPS (Atelier de Gravura e Litografia do CPS – impressores: Humberto Marçal e Rui Marçal) e a tiragem foi de 50 exemplares.

Capa - Mariana, Minha Companheira, livro de artista de Madalena Fonseca, 2002

Capa - Mariana, Minha Companheira, livro de artista de Madalena Fonseca, 2002

Estes são os dados técnicos.

Agora vem tudo o resto.

Excerto da primeira carta de Mariana

Excerto da primeira carta de Mariana

 No séc. XVII, em Portugal, lutava-se com Espanha para a consolidação da restauração da independência. A Guerra da Restauração durou cerca de 28 anos.

É nesta época que Mariana, pertencente à nobre família dos Alcoforados de Beja, entra para o convento com 11 anos. E é já depois de ter professado que Mariana se apaixona perdidamente pelo capitão Bouton, conde de Chamilly. Este cavaleiro veio para Portugal, integrado no regimento francês aquartelado em Beja, para a ajuda da defesa fronteiriça.

Os amantes encontram-se furtivamente e vivem intensamente um amor proibido.

Repentinamente, o cavaleiro regressa a França e Mariana escreve-lhe cinco cartas de amor, que vêm a ser publicadas pela primeira vez em França, em 1669, e em todo o mundo ao longo dos séculos.

Transcrevo um excerto de cada uma delas e tento exprimir por palavras e imagens toda a emoção que as cartas de Mariana me fizeram viver.

Tentei aplacar a dor que a dor da Mariana em mim despertou, olhando demoradamente, num acto íntimo, a riqueza dos motivos ornamentais que povoam o Convento da Conceição de Beja, onde Mariana viveu: observei a ordenação mágica dos elementos, fruí do seu ritmo de movimento, da repetição e da simetria nos padrões.

Gosto de pensar que Mariana também contemplou este mundo mágico de detalhes decorativos. Talvez esta contemplação a tenha reconciliado com o seu mundo interior, devastado pela dor da paixão e do abandono…

Resposta à primeira carta de Mariana

Resposta à primeira carta de Mariana

Idem

«O amor torna-te imensa. Com a perda atinges a eternidade. E os teus apelos, Mariana, quem os escuta?»

 

 

 Mariana Alcoforado nasceu a 22 de Abril de 1640 e morreu a 28 de Julho de 1723. O romance com Nöel Bouton, futuro conde de Chamilly, ocorreu entre 1665 e 1667. Nöel partiu abruptamente para França, deixando a Mariana a promessa de voltar para a levar com ele. Nunca voltou. Mariana escreveu-lhe, entre Dezembro de 1667 e Junho de 1668, cinco cartas. Nunca obteve resposta. Mariana morreu com 83 anos no convento onde sempre vivera. O silêncio de Nöel acendeu gritos no amor de Mariana. Um amor que era só dela. Há amores assim. Só vivem em nós.

A história de Mariana Alcoforado é a história do início do amor.

 

  

A minha mãe partilhou esta dor, esta paixão, esta ausência insuportável, esta presença intolerável, com Mariana. Apresenta, no seu livro Mariana, Minha Companheira, excertos das cartas de Mariana, intercalados com cartas (escritas na primeira pessoa e dirigidas a Mariana) e gravuras. 

 

ADO Challenge 18/07/2009

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AD

 Há uns dias soube de uma iniciativa fantástica. A Art Dolls Only lançou um desafio: criar uma boneca sob o tema «Os quatro elementos». Aqui vai a explicação:

Your inspiration is the elements, and we challenge you to make a art doll using one, two, three, or all four of the elements as your inspiration. On Friday July 17th participants post their art doll to their blog.Saturday July 18th and Sunday July 19th begins the fun of seeing all the art dolls that have been created! All participants will be listed in the ADO sidebar for easy visiting.Any and all artists are welcome to participate, including non members.Here is your chance to explore the wonderful world of art dolls, first time doll maker, old hat, or have not created in while, all are welcome to join in on the fun!

Decidi participar. A ideia pareceu-me genial e irresistível.

A Mami Madeleine é a minha resposta ao ADO Challenge.

Elemento: AR.

Todo o projecto aqui.

ADO1

ADO2

ADO3

ADO4

ADO5

ADO6

Vejam as outras propostas: Alena Eliseeva, Archethypal Theatre, Catherine Coyle, Christina Christidou,  Cody Goodin, Drycha, Du Buh Du, Las Noches, PieCake PrimitivesThe Wonderful Place… mais no site da ADO, na barra lateral.

Mami em construção 20/06/2009

Posted by rama in Mamis, Mamis em projecto.
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A Madeleine já tem mãos, pernas, pés e cabeça.

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